terça-feira, 3 de dezembro de 2013


Eternos corpos com o mesmo fim
A escuridão infinita
O ambiente bucólico
A privação dos sonhos
O frio
A solidão desmedida do eternamente
A saudade
A ausência
A fraqueza que flameja
O nascer do sol que se faz aparecer
A negação do oculto
A razão irracional
A vontade abrupta do abraço que ficou por dar
A caricia que ficou pelo olhar

O meu perdão para te esquecer

domingo, 24 de novembro de 2013

Não era ignorante,
Era inocente
Era feliz
Pensava que era amada
Por quem amava
Era feliz
Entre sorrisos e beijos calorosos
Era feliz

Foi uma infância bonita
Fui feliz

Mas agora pergunto-me:
Ficarei feliz
A pensar que fui feliz
Ou que afinal, vendo com bons olhos
Não fui feliz?

Será melhor encerrar o capítulo
Guardar as memórias
E continuar a achar que fui feliz

Para não se infeliz?

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Posso desistir sem Desistir?
Apenas sossegar-me
Deixar de arrastar-me
Por uma coisa em vão
Que nada de amor tem
Apenas correndo em contra mão

Será que foi uma convulsão momentânea?
Uma diversão,
No calor do verão?

Uma abstração da nossa razão
Que passa de validade
Apenas com rumores
Novidades

Parece que tudo tem brevidade

Tenho de sair deste delírio
Deixar de piscar os olhos de maneira intermitente,
Enxugá-los

Tenho de parar de me matar aos poucos
Mentalmente
Congelar o que aqui se sente

Deixar de acordar a meio da noite
Com receio do que aí vem
Encontrar a motivação
Que perdi depois daquele beijo de agosto
Que se tornou em desgosto

E que pelos vistos foi em vão

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Elas dançam animadas
Fazem amor nas horas vagas

Eles caminham de mãos dadas
Chocando cabeças findadas


Gritam revoltados
Por este mundo ficcionado
Onde estamos mergulhados
Sem razão de ser
E ninguém quer saber

As palas nos olhos
Que não nos deixam crescer
A música pimba
Que nos faz enlouquecer
O apetite pelo alheio

Que nos faz embrutecer 

domingo, 20 de outubro de 2013

Pai, sim tu, Pai. Afinal de contas continuas a ser meu Pai, o meu Pai. Quer queiras quer não, que eu queira quer não, quer alguém queira quer não.
Eu sei que a vida muda, que nos muda, que nós mudamos mas os laços não se perdem. Eu percebo que as relações acabem, que o amor morre, eu compreendo tudo isso e não te julgo por isso, apenas entendo que são coisas que acontecem…
Agora, o que me custa, o que me dói do fundo da minha alma é o não perceber por que motivo me fizeste o que fizeste. Eu serei sempre tua filha e saber que já não me vês como tal é provavelmente a coisa que mais me custa nesta vida. O amor que tinhas pela Mãe pode ter desaparecido mas sinceramente não entendo como e porquê é que o amor que tinhas por mim também se foi, assim. Podes ter a certeza que apesar das nossas desavenças deste tempo todo, tenho saudades tuas, tenho mesmo muitas saudades tuas. Gostava que me conseguisses olhar nos olhos, que sorrisses para mim. Tenho saudade da tua voz, de falar contigo. Gostava que me deixasses fazer parte da tua vida, deixares-me dizer-te o quão gosto de ti e de saber que terei para sempre um lugar nos teus braços. Gostava que te lembrasses de mim.
Gostava que tu e a avó não se tivessem esquecido que faço parte de vocês. Gostava de conhecer a pessoa a que chamo “Pai”, que sinceramente já não conheço. Acho que dezoito anos da nossa vida não se deitam assim para trás das costas desta maneira, sem mais nem menos.
Explica-me por favor como e porquê é que te tornaste na pessoa que te tornaste. Por favor explica-me.
Eis a minha mais profunda mágoa.
Vertendo as minhas sinceras lágrimas, da tua filha que te ama, Mariana.

(Espero que um dia destes tenha coragem para te enviar esta carta, tirar este peso de cima para talvez perceber o porquê deste desgosto que me deste, Pai.)


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A chuva lá fora não pode parar
Pelo menos, até me encontrar
Vou tentar socorrer-me
No meio da escuridão
Sou capaz de escapar
Ou desvanecer na multidão


Minto, ao dizer que me vou acudir
Sem sequer sofrer
Engulo as pedras
As dores sinceras
Que tento não transparecer
Quero uma capa
Para me proteger
Até pediria que me cegassem
Para não poder ver

O poço está a gritar à espera
Que alguém se mande
Com aparências e vontades

Com sede morrer

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Já ninguém liga
Ou ouve o que ele diz

Tons surdos
Monocórdicos
De prazer malicioso
Que o fizeram corajoso

Quero aliciar-te
Assoberbar-te de mim, então
Quero concentrar-te em mim
Até que acabe

Então, o coração

domingo, 13 de outubro de 2013

É dia
É silêncio
É vontade
É vontade de crescer

Corre, sim
Corre
E não penses
Não
Não penses

(Que a vida há de pensar em ti)

Abana, abana
Abana o corpo
Prego a fundo
Toma-lhe o gosto

Sente o sangue a correr nas veias
Não faças a mala
Foge a meias
Sente o gosto
Das vidas alheias

Deita fogo às mãos
Aquece o fumo
Pões o disco a tocar
Fecha os olhos
Esquece o destino
Está na hora de encontrar




terça-feira, 8 de outubro de 2013

Quando pensas que tens tudo controlado, o teu lado mais racional ao de cima e que tudo vai correr bem, o teu subconsciente atraiçoa-te e o teu lado mais vulnerável, o que tentas sempre esconder, aparece. Obrigada por me mostrares que não sou assim tão forte consciência.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Juventude
Esta juventude em que me insiro
Esta juventude
Esta descoberta
Esta adrenalina
Esta vontade soberba de conhecer
De querer saber mais
De devorar o mundo
Como animais

O inesperado
O desconhecido
Aquela necessidade de ser tudo como digo
As paixões
As alegrias
As rejeições que ninguém queria
As revoltas
A rebeldia
A melancolia igual à minha

Um tiro no escuro
As aventuras
A borga até às sete da manhã
O cheiro a novo
A novidade
Achar que nada tem maldade

O perceber que alguém cresceu
Que foi algo que se deu

  

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Não há remédio
Para o inferno frio
Que aí vem
Cheio de tédio

Levai-me
Levai-me daqui
Como um corpo morto
Gélido
Solto

A estrada paralisou
E as memórias me levou
Para o meio da incerteza

Perdida no meio do selvagem
Que no fim perdeu viagem
Vou na voz da vadiagem

Prometeram à juíza
Que ficavam com a vontade
Que me tiravam a ingenuidade
Que me enchiam de esperança
De memória

De lembrança

sábado, 21 de setembro de 2013

Pode ser a tua versão
Ou aversão aos factos
Facto de possibilidades
Possivelmente duvidosas
Das dúvidas existenciais
Da existência humana
Da humanidade falaciosa
Da falsidade permanente
Da permanência da loucura
Loucamente dividida

Entre a dívida e a vontade

domingo, 15 de setembro de 2013

Morreste
Na serenidade da noite
Na hóstia das invenções
Na penumbra das satisfações

Já não havia esperança
Já não soube procurar
Não soube que espécie encontrar

A deceção roubou-lhe as pálpebras
Que o faziam parar
Proteger as lágrimas
Que queria deitar

Cumpria a sentença
De término em vão
Uma afronta de ideias
Lúgubres, sérias
Que não sabe onde estão

Deparo-me com os meus dilemas
Meticulosamente ridículos
O espaço permanecerá vazio
O eco a reinar
A ausência em vez de estar

Apagaste a metáforas
Que queria mostrar
Fechei a porta

Que não me deixa entrar

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Excessos
Demasias
Imoderação
Redundâncias
Humanidade cheia à minha volta
Que de humana nada tem

Lamúrias enfadonhas
Exaltadas
Possessivas
Fartas de se verem ao espelho

A monotonia que explode pelos canos de esgoto
As vozes que ecoam tontas
Ansiosas ‘pra fugir
A degradação que vem oculta
Pronto ‘pra disputa

O caos brilha lá no alto
À espera de cair
À espera do assalto

Que me faça desistir

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Continuas cá
Mas não aqui
Ando eu
Sem ordem
Sem vontade
No meio da tempestade
Com tudo virado do avesso
E um dia até me esqueço
Que existe algo à minha volta

E parto sem revolta

domingo, 1 de setembro de 2013

Percebi que a vida é um amontoado de gente, de algumas pessoas e de gente.
Pensas: “não sou nada sem elas”; pensas que elas vão estar lá sempre, as pessoas, não a gente.
Acreditas que são o teu pilar, a tua âncora, o teu porto seguro, que apesar da maior merda que faças permanecerão lá sempre, eternamente e infinitamente para te dar a mão e para te aplaudir e para se orgulharem de ti quando brilhas.
Depois, chega a altura em que percebes que isso é só um mar de ideias vãs e ocas e que de um momento para o outro de afogas, te tiram o tapete debaixo dos pés, te tiram os sapatos, as meias, que te deixam descalça e que te esquecem, vão se embora e pensas se terás sido alguma vez importante para elas, se valeste alguma coisa na vida delas.
Haja rótulos, haja laços que se tentam desfazer, haja partilhas genéticas impossíveis de quebrar, elas vão-se, abandonam-te e não voltam sem te explicar porquê.
É uma perda, na minha opinião bem pior que a morte. Perdeste para sempre alguém que está vivo e simplesmente não está ao alcance dos teus olhos porque não quer, porque já não te quer.
Apercebes-te que o teu seio se foi ou aquele que pensavas e acreditavas que era. Olhas para o mundo e pensas como será o exterior se vês tão negro o interior.
Abres o estore e pensas que lugar é este onde vives, que seres são estes que deambulam por aqui, sentes-te perdida e não sabes como te às de voltar a levantar. Um mundo que tinha tudo para ser belo e apenas não o é porque não é.
Roo-o a cabeça a tentar perceber o ser humano e revolto-me por saber que podia ser tanto e não passa de um animal idiota maior parte das vezes. Está a destruir-se.
Posto isto, podia dizer que tinha medo do mundo, podia desistir e somente virar as costas e não querer saber mas acho que era uma atitude demasiado fraca.
A mágoa, a tristeza, a solidão e a desilusão são apenas sentimentos que nos fazem ver que somos realmente pessoas, que existimos, fazem-nos crescer. A vida é feita a engolir calhaus a pegar touros pelos cornos (não no seu verdadeiro sentido) e de batalhas sem armas de fogo.
A submissão e a inércia para uns, a vontade e a força para outros. Será isso que nos distingue?

Tombarei de alegria quando o ser humano parar e se assumir em todas as suas valências. 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013


Metrópole vazia de humanidade
Algarismos ocultos no meio de paredes ocas
Entre becos
E ruelas

Fachadas artísticas
Com ganas de serem olhadas
Observadas
Percebidas
Sentidas
Memorizadas

Os enganos dos olhos
Dos outros
Que emitem felicidade
E engolem raiva

A falta de compaixão
Que vagueia ao nascer do sol
Que parece que se esquece
Quando as luzes se acendem
A música começa
O ritmo abranda

E dançam de mãos dadas até arrefecer

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Ele foi dormir
Ela foi dormir
Adormeceram
Agarrados
Como dois
Bem amados
Sonharam com os sonhos
Com que queriam
Sonhar
Foram felizes
Desde manhã
Ao entardecer
E assim
O amor
Se fez crescer


quinta-feira, 22 de agosto de 2013


Ainda dizem que a noite
É feita de escuridão
Onde tudo parece escondido
Com medo do papão

Quero encarnar uma besta
Que não sente a dor
Que não sente a ferida
Que não entra nesta jogaria
Que não é atordoado por esta melancolia

A noite chega
A consciência perde-se
A racionalidade desvanece
Consome-me grito estridente
Que me escapa pela boca

Que raio de criatura és tu?

Eu não creio
Que algo vá acontecer
Se é o consciente a se perder
Se voltarei a olhar
A viver
Irei ficar assim
No meio das entranhas profundas da escuridão
A pensar naquilo que devia ser achado
Perder a imagem da lua ao eclipse

E a não ter medo quando a visse  

sábado, 17 de agosto de 2013



Preciso de luz
Mas não me apetece olhá-la

Queria permanecer algures no meio da escuridão
Ficar entregue à ilusão
De que tudo é calmo
Aquieto
Singelo

Em que nada me transparecia
Seja noite

Seja dia

quarta-feira, 14 de agosto de 2013


  
Vivemos sob uma aculturação demente e sem nexo, a qual nos impõem ainda nem sabemos bem que somos, de que nos tratamos, de onde viemos.
Tornam-nos como meros escravos de um padrão conformista, guiado ao belo prazer de leis e ideias que convêm, supérfluas e macabras. Sim, macabras. As quais estupidificam, matam a curiosidade que acaba por nunca chegar a nascer. Aplaude-se ao resigno, diz-se que sim e abana-se a cabeça como se de uma ordem se trata-se. Matou-se o instinto, a sede de descoberta, o fascínio pelo mundo inexplorado, abdicou-se do saber.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Desapareceu o tradicional
O padrão monocromático
Em que tudo parecia estático
Trivial
Aborrecido
Completamente adormecido

Apareceu o sensorial
A esperança
O fantástico
Onde tudo parece real
Enfático

Algo floresceu
E tudo assim se deu
Mostrou-se o animal
Quebrou-se o minimal
Agarrei o fulcral



domingo, 11 de agosto de 2013

Relógio parado
Cansado
De dar às horas
De chegar a horas
De ir embora
De aparecer

De ninguém o receber
Não sei se foi o meu coração a bloquear-te
Se foi a desgraça momentânea a pairar
Se foi a falta ou a vontade de te encontrar

O bloqueio que o meu cérebro faz às tuas palavras
Que me deixam como gelo, sem reação

Andarei eu à procura de algo que não encontro?
Será o medo de errar?
De me entregar?
Terei medo de morrer de paixão, não de amor, paixão

O que haverá em mim para haver tal contradição?
Esta envolvência estúpida que vai e vem

O não saber se resistirei
Se persistirei
O medo de ter e não ter dúvidas
Se és tudo ou nada para mim

Falta algo
Algo que merece ser encontrado
Estimado
Preservado

Poder sentir a tua pele
A tua respiração
A tua pulsação
Saber se és tu ou não


Que resposta ei de dar?

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Sonoridade
Fascínio incontornável
Melodioso
Memorável

Formas tentadas
Suadas de prazer
Ridículos gestos em flor

Que fazem ensandecer

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Batalha imoral dos bons costumes
Dispersa no meio da multidão
Como se estivesse nua
Fazia, vulnerável

Pisam-me
Esmagam-me
Olhares vazios que não entendo
Cuspindo desdém
Despego
Repugna

Arrancam-me o coração pela boca
Deixam-me vagabunda
Sem quererem saber

Corro em contra mão
À beira do precipício
Penhasco alto
Esquisso

As ideias vão-se com o ar
Com a tormenta
Fogaz, atenta

Vejo-me sem par
Sem amparo
Sem vontade de ficar
Sem vontade de fugir

A melodia quebra no ponto crucial
Tenho medo que se faça ponto final
Que já não haja parágrafo


Há sempre aquela sensação de demência insana
Que tanto me fascina
Se procuro
Se me deixo estar
Se me vais bater à porta
Se te vais acomodar

Particularidades fáceis do teu jeito
Sim
Quero-te
Quero-te ver
Quero tocar-te

Esta frenética ideia de te ter
De te prometer

De me prometeres