terça-feira, 30 de julho de 2013

Sequências
Métodos
Excursões

Um contrabando de ideias excitadas
Vãs, sobejas
Que enlouquecem os loucos
Fazem rir os parvos
Calam os ignorados

Complexos irracionais da minha instância
Negócios deplorados
Facciosismos azedados
Fartos, enfadados


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Queria tanto algo puro
Transparente
Elevado

Que me transmitisse a sensação de flutuar
Queria encontrar-te
Fazer com que a nossa massa emergisse no efémero
Acender o Universo

A tentativa de equilíbrio existencial
O Sentido Místico
Gravado nos nossos juízos
Cravado em letra antiga
Em Código
Que apenas nós podemos decifrar

O descalabro
As lágrimas que me escorrem pela cara
Quando o meu racional me empurra
Me desperta
E me mostra as milhas
Que separam o coração
Do corpo
Que separam o ideal
Do possível
O enlevo

Da infelicidade

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Meios
Meio de dia
Meio de noite
Meia vontade de fugir
Outra tanta de ficar
De mudar a realeza
De tentar não te perder
Pegar nas réstias de raízes que ainda não foram arrancadas
Apesar de escassas, defuntas

Apesar do desgosto
De querer embriagar o sentido
Para te largar
Já que me deixaste ao desabrigo 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Desfizeste o laço
De que eu tanto
Queria cuidar

Queria moldar o teu abraço
Aconchegar-te no regaço
Fazer-te crescer


sábado, 20 de julho de 2013

Restam apenas sobras
Ruínas
Reminiscências que se criaram em vão
E que agora ficam esquecidas num buraco
Na descampada
À espera que as enterrem
Que lhe ponham uma campa
Ao acaso

Que lhe façam o luto
Que acabará por desaparecer
Pelo meio do espírito
Exausto do delírio

Farto de se ter

terça-feira, 16 de julho de 2013



Cheia de suposições
De memórias
Que afinal foram ilusões
A persuasão
A realidade que foi metodicamente invertida
Que te fez crescer, rir, amar
E que agora te faz chorar

Os espasmos de desalento de não saber quem sou
Que levaram a minha identidade
A minha vontade
A minha energia
Que brilhava, reluzia
As fatalidades
As banalidades em que mergulho até ficar sem ar

Nasci de algo que se perdeu
Que fugiu para o deserto, que ardeu
Deram-me as feições
O nome, as palavras
Do qual não serviu de nada

Sobrevivência grotesca
Jogos de ganância
Que me levaram a infância

Fruto de carne, sangue, excitação
Do qual não há perdão
Entre olhares, suor, desejo
Que se foi com o alheio

O intemporal, o incondicional
Que esqueceste de cumprir
Ardendo nas bocas do inferno

Até em cinzas te vir

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Desgosto
Choro desesperada
De repente
Vista sem nada

A realidade amarga e tóxica em que me situo
Que me ofereceram obrigada
A ganância obstinada
O orgulho que te impede de ver

Sinto-me amargurada
Abandonada
Deste-me uma chapada tal que me atiraste para o chão
Não me consigo levantar
Não me consigo mexer
Não consigo sentir
Levas-te me a alma
E queimaste-a num poço sem fundo
E com ela queimaste o teu coração

O que fiz eu para tal mutilação?
Fizeste-me perder o norte
Perder a noção
Viraste-me do avesso e não quiseste saber
Deste-me um desgosto pior do que o da morte
Roubaste-me tudo, até a sorte

Só queria entender o que te fez ficar assim

Teres-te transformado nesse monstro sem fim

domingo, 14 de julho de 2013

A equação que nos separa
Que nos quebra a ligação
Que nos roubou aquilo que éramos
Em vão

segunda-feira, 8 de julho de 2013

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Paredes frias
Em ruínas de saudade
Escorrendo a podridão a que assistiram

Aquela porta que não fecha
A tranca ferrugenta que trasborda insegurança
A chave que se perdeu

Tudo desapareceu

domingo, 7 de julho de 2013

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Balaustres
Bibelôs
Bugigangas
Rococós

Coisas inúteis
Banais
Materiais
Sem valor,
Com validade

O mundo a morrer na terceira pessoa
Mastigado
Sujo
Desgastado
Injetado com poeira radioativa

Pares desfeitos
Homicídios
Suicídios
O choro das crias que nunca se ouve
Os gritos que ecoam nas casas vazias
Lágrimas sujas derramadas em vão
Entregadas ao anseio


O maxilar quebrado pelos sorrisos fáceis
Pelo ambiente frio, singelo
As máquinas que se movem
Como se empurradas
Como se de uma obrigação

Desesperadas

sexta-feira, 5 de julho de 2013

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As minhas mãos ainda seguram o teu pescoço
Os meus beijos ainda adornam os teus lábios
Ainda te tenho
Mas sinto que chegaste tardiamente cedo
Quando o sol já se tinha posto
E eu estava na penumbra,
Calma
Serena
Inconscientemente à espera que aparecesses

À espera que chegasses
E que me iluminasses
Não como o canto da sereia
Que encantou os marinheiros ao passar
Mas sim da tua maneira angélica
Daquela maneira tão tua e pessoal
Em que deixas o teu perfume ao passar

Não quero ser incoerente
Não quero que nada seja diferente
Só quero testar o que este mundo nos tem para dar
Se é partir
Se é ficar
Sé é preciso fugir
Bater com portas
Voltar


Se nos basta ser racionais
Comuns mortais
Travando o sentido do olhar
Do corpo ao deitar        
Se me basta ficar
Acostumar-me às peripécias banais
Despindo-me da seda emocional que me envolve o corpo
Que me deixa nua
Exposta
Não sabendo se a esperança adormece ou se levanta

Porque é que me preocupo com o amanhã?
Amanhã vai ser diferente
Emaranhado
Cheio de gente
Bordel hediondo
Em que nasce gente
Morre gente
Haverá quem ri
Quem chore

E eu não saberei de mim

quinta-feira, 4 de julho de 2013

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Mente
Que não mente
Que não sabe o que sente
Mas não quer saber

Tudo parece tão turvo e claro
Respiro confusão
Como um boato maldito
Que ascende bêbado nos meus olhos
Que me fode a auria
Que me enche o peito de dor
Que não me deixa respirar

Quero-me libertar
Voltar a sonhar
E a não ter medo
Deixar de ter segredos
Poder voar

Viver

quarta-feira, 3 de julho de 2013

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Como se está bem na rua
O céu azul-escuro
A humidade que corta o abafado
Que teima em permanecer durante o dia
O cheiro a noite que me ilumina
Aquela estrela que brilha, gigante
Que rouba toda a atenção para ela
Dando-me esperança
Quem me dera que os dias fossem tão calmos como a noite
Como esta

Esta noite pela qual me apaixonei

terça-feira, 2 de julho de 2013

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Porquê esta sociedade vaidosa?
Narizes empinados
Engravatados
Gente com a mania que é importante
Que é mais que os outros
Que é grande
Que pode espezinhar
Que pode comprar
Que pode menosprezar

Sociedade cheia de mimo
Que anda ao sabor dos interesses
Do capital
Das contas
Dos bolsos
Das barrigas
E das bocas

Que nos leva à bancarrota
Que menospreza os pequeninos
Que mexe cordelinhos




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Estou a começar a aperceber-me que aquela frase que eu dizia “só faz falta quem está” só me engana a mim própria.

Uma pessoa adapta-se à ausência, mas há certas pessoas que nos farão sempre falta.

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Não creio que o amor apareça do nada
A paixão sim
Apesar de ainda não a perceber bem
Aquela atração louca que sentimos
A necessidade incalculável de permaneceres junto daquela
De estudar as linhas dos seu rosto
O tamanho das suas mãos
De sentir o calor dos seus beijos

Já o amor
Nasce daí
O quereres cuidar da pessoa
O quereres aprender com ela
Guardá-la para ti no leito dos teus braços
O quereres ajudá-la a crescer
O respeito

O amor vai-se construindo
Como uma escada para o céu

Pelo caminho há as que se partem
Outras que continuam a crescer
E não me parece que alguma vez parem
Mesmo depois de os dois fecharem os olhos para sempre
Aí, o amor é eterno

Mas é algo que não é para todos

segunda-feira, 1 de julho de 2013

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Tédio insaciável
Fresca neblina matinal
Podres as mentalidades e os desejos dos que passam nas ruelas esguias
Falta de harmonia
Necessidade ínfima de parar o tempo
De travar o caos que me rodeia e que se vai alastrando
Epopeia cósmica
Desgosto