Cheia de
suposições
De memórias
Que afinal foram
ilusões
A persuasão
A realidade que
foi metodicamente invertida
Que te fez
crescer, rir, amar
E que agora te faz
chorar
Os espasmos de
desalento de não saber quem sou
Que levaram a minha
identidade
A minha vontade
A minha energia
Que brilhava,
reluzia
As fatalidades
As banalidades em
que mergulho até ficar sem ar
Nasci de algo que
se perdeu
Que fugiu para o
deserto, que ardeu
Deram-me as
feições
O nome, as
palavras
Do qual não
serviu de nada
Sobrevivência grotesca
Jogos de ganância
Que me levaram a infância
Fruto de carne,
sangue, excitação
Do qual não há
perdão
Entre olhares,
suor, desejo
Que se foi com o alheio
O intemporal, o
incondicional
Que esqueceste de
cumprir
Ardendo nas bocas
do inferno
Até em cinzas te
vir