quinta-feira, 29 de agosto de 2013


Metrópole vazia de humanidade
Algarismos ocultos no meio de paredes ocas
Entre becos
E ruelas

Fachadas artísticas
Com ganas de serem olhadas
Observadas
Percebidas
Sentidas
Memorizadas

Os enganos dos olhos
Dos outros
Que emitem felicidade
E engolem raiva

A falta de compaixão
Que vagueia ao nascer do sol
Que parece que se esquece
Quando as luzes se acendem
A música começa
O ritmo abranda

E dançam de mãos dadas até arrefecer

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Ele foi dormir
Ela foi dormir
Adormeceram
Agarrados
Como dois
Bem amados
Sonharam com os sonhos
Com que queriam
Sonhar
Foram felizes
Desde manhã
Ao entardecer
E assim
O amor
Se fez crescer


quinta-feira, 22 de agosto de 2013


Ainda dizem que a noite
É feita de escuridão
Onde tudo parece escondido
Com medo do papão

Quero encarnar uma besta
Que não sente a dor
Que não sente a ferida
Que não entra nesta jogaria
Que não é atordoado por esta melancolia

A noite chega
A consciência perde-se
A racionalidade desvanece
Consome-me grito estridente
Que me escapa pela boca

Que raio de criatura és tu?

Eu não creio
Que algo vá acontecer
Se é o consciente a se perder
Se voltarei a olhar
A viver
Irei ficar assim
No meio das entranhas profundas da escuridão
A pensar naquilo que devia ser achado
Perder a imagem da lua ao eclipse

E a não ter medo quando a visse  

sábado, 17 de agosto de 2013



Preciso de luz
Mas não me apetece olhá-la

Queria permanecer algures no meio da escuridão
Ficar entregue à ilusão
De que tudo é calmo
Aquieto
Singelo

Em que nada me transparecia
Seja noite

Seja dia

quarta-feira, 14 de agosto de 2013


  
Vivemos sob uma aculturação demente e sem nexo, a qual nos impõem ainda nem sabemos bem que somos, de que nos tratamos, de onde viemos.
Tornam-nos como meros escravos de um padrão conformista, guiado ao belo prazer de leis e ideias que convêm, supérfluas e macabras. Sim, macabras. As quais estupidificam, matam a curiosidade que acaba por nunca chegar a nascer. Aplaude-se ao resigno, diz-se que sim e abana-se a cabeça como se de uma ordem se trata-se. Matou-se o instinto, a sede de descoberta, o fascínio pelo mundo inexplorado, abdicou-se do saber.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Desapareceu o tradicional
O padrão monocromático
Em que tudo parecia estático
Trivial
Aborrecido
Completamente adormecido

Apareceu o sensorial
A esperança
O fantástico
Onde tudo parece real
Enfático

Algo floresceu
E tudo assim se deu
Mostrou-se o animal
Quebrou-se o minimal
Agarrei o fulcral



domingo, 11 de agosto de 2013

Relógio parado
Cansado
De dar às horas
De chegar a horas
De ir embora
De aparecer

De ninguém o receber
Não sei se foi o meu coração a bloquear-te
Se foi a desgraça momentânea a pairar
Se foi a falta ou a vontade de te encontrar

O bloqueio que o meu cérebro faz às tuas palavras
Que me deixam como gelo, sem reação

Andarei eu à procura de algo que não encontro?
Será o medo de errar?
De me entregar?
Terei medo de morrer de paixão, não de amor, paixão

O que haverá em mim para haver tal contradição?
Esta envolvência estúpida que vai e vem

O não saber se resistirei
Se persistirei
O medo de ter e não ter dúvidas
Se és tudo ou nada para mim

Falta algo
Algo que merece ser encontrado
Estimado
Preservado

Poder sentir a tua pele
A tua respiração
A tua pulsação
Saber se és tu ou não


Que resposta ei de dar?

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Sonoridade
Fascínio incontornável
Melodioso
Memorável

Formas tentadas
Suadas de prazer
Ridículos gestos em flor

Que fazem ensandecer

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Batalha imoral dos bons costumes
Dispersa no meio da multidão
Como se estivesse nua
Fazia, vulnerável

Pisam-me
Esmagam-me
Olhares vazios que não entendo
Cuspindo desdém
Despego
Repugna

Arrancam-me o coração pela boca
Deixam-me vagabunda
Sem quererem saber

Corro em contra mão
À beira do precipício
Penhasco alto
Esquisso

As ideias vão-se com o ar
Com a tormenta
Fogaz, atenta

Vejo-me sem par
Sem amparo
Sem vontade de ficar
Sem vontade de fugir

A melodia quebra no ponto crucial
Tenho medo que se faça ponto final
Que já não haja parágrafo


Há sempre aquela sensação de demência insana
Que tanto me fascina
Se procuro
Se me deixo estar
Se me vais bater à porta
Se te vais acomodar

Particularidades fáceis do teu jeito
Sim
Quero-te
Quero-te ver
Quero tocar-te

Esta frenética ideia de te ter
De te prometer

De me prometeres