terça-feira, 28 de janeiro de 2014


O que fazer às lembranças
Às memórias
De quem já te foi tanto
Mas que agora
Não passam apenas de isso mesmo,
Memórias

Objetos
Cheiros
Músicas e recordações visuais
De passagens verdadeiras?
Momentâneas?
Que o teu cérebro faz questão de guardar
Ou será a consciência
A querer-se afirmar?

O que te fez corar
Ou outrora chorar
Transformou-se num aviso
Em experiência
Em ensaios que ficaram por dar

Despedacei-me
Tornei-me um só
Tornei-me numa inteira
Esculpi-me no conforto
Das cachimónias quentes

E deixei-me estar

sábado, 25 de janeiro de 2014

Aqui estou eu, quieta, sossegada no meu quarto, no meu canto, na penumbra da calma.
Lá fora o sol brilha, as árvores e as ervas movem-se ao sabor do vento como se de uma valsa se tratasse. Como está tudo tão harmonioso.

Ponho a cabeça de fora da janela e uma brisa fresca e rápida enche-me os pulmões de esperança. Deu-me sinal que estou viva e mostra-me o que ando a perder lá fora. A natureza apanhou-me o coração. Que saudades tinha eu tuas, do sol e das plantas verdinhas que gritam primavera.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014


E aquela música toca interminavelmente
Toca até eu a deixar de ouvir
Tenta embalar-me à força
Quer fazer-me esquecer o que fizeste por mim
Quer enfeitiçar-me
Quer mudar-me o rumo
Aquele rumo que tentei traçar sozinha
Quer levar-me para um lugar inóspito

Pondero as palavras
Cinjo-me ao essencial
Ao rotineiro

A solidão está cheia de gente
E eu estou cheia de mim
Quem sou eu para falar

Nunca me vi assim

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014


Achava que ia ser um dia bonito
Que haveria alento em mim
Dar-te-ia o meu recanto
Mas para meu espanto
Tudo foi que não assim

Acham que tudo começa
E que tudo tem um fim?
Eu descordo
E creio em mim

Quero sair à rua
Quero dançar o tango
Quero fugir da ordem

O cansaço apoderou-se de nós
Roubou-nos a virtude
Os olhares vãos e mal gastos

Não passamos de estados de alma
Cansados e perdidos entre ruas e jardins
Que tentámos descobrir

Servimos este mundo
Àquela hora já não sentia nada
Contorço-me de revolta

Parem de amar tudo
E no fim nada amarem
Parem com as hipocrisias
Parem de brincar à liberdade
Às democracias
E dizer que são feitas as vontades

Estou revoltada, eu sei que sim
Mas se não for eu

Quem o faz por mim?