quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Elas dançam animadas
Fazem amor nas horas vagas

Eles caminham de mãos dadas
Chocando cabeças findadas


Gritam revoltados
Por este mundo ficcionado
Onde estamos mergulhados
Sem razão de ser
E ninguém quer saber

As palas nos olhos
Que não nos deixam crescer
A música pimba
Que nos faz enlouquecer
O apetite pelo alheio

Que nos faz embrutecer 

domingo, 20 de outubro de 2013

Pai, sim tu, Pai. Afinal de contas continuas a ser meu Pai, o meu Pai. Quer queiras quer não, que eu queira quer não, quer alguém queira quer não.
Eu sei que a vida muda, que nos muda, que nós mudamos mas os laços não se perdem. Eu percebo que as relações acabem, que o amor morre, eu compreendo tudo isso e não te julgo por isso, apenas entendo que são coisas que acontecem…
Agora, o que me custa, o que me dói do fundo da minha alma é o não perceber por que motivo me fizeste o que fizeste. Eu serei sempre tua filha e saber que já não me vês como tal é provavelmente a coisa que mais me custa nesta vida. O amor que tinhas pela Mãe pode ter desaparecido mas sinceramente não entendo como e porquê é que o amor que tinhas por mim também se foi, assim. Podes ter a certeza que apesar das nossas desavenças deste tempo todo, tenho saudades tuas, tenho mesmo muitas saudades tuas. Gostava que me conseguisses olhar nos olhos, que sorrisses para mim. Tenho saudade da tua voz, de falar contigo. Gostava que me deixasses fazer parte da tua vida, deixares-me dizer-te o quão gosto de ti e de saber que terei para sempre um lugar nos teus braços. Gostava que te lembrasses de mim.
Gostava que tu e a avó não se tivessem esquecido que faço parte de vocês. Gostava de conhecer a pessoa a que chamo “Pai”, que sinceramente já não conheço. Acho que dezoito anos da nossa vida não se deitam assim para trás das costas desta maneira, sem mais nem menos.
Explica-me por favor como e porquê é que te tornaste na pessoa que te tornaste. Por favor explica-me.
Eis a minha mais profunda mágoa.
Vertendo as minhas sinceras lágrimas, da tua filha que te ama, Mariana.

(Espero que um dia destes tenha coragem para te enviar esta carta, tirar este peso de cima para talvez perceber o porquê deste desgosto que me deste, Pai.)


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A chuva lá fora não pode parar
Pelo menos, até me encontrar
Vou tentar socorrer-me
No meio da escuridão
Sou capaz de escapar
Ou desvanecer na multidão


Minto, ao dizer que me vou acudir
Sem sequer sofrer
Engulo as pedras
As dores sinceras
Que tento não transparecer
Quero uma capa
Para me proteger
Até pediria que me cegassem
Para não poder ver

O poço está a gritar à espera
Que alguém se mande
Com aparências e vontades

Com sede morrer

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Já ninguém liga
Ou ouve o que ele diz

Tons surdos
Monocórdicos
De prazer malicioso
Que o fizeram corajoso

Quero aliciar-te
Assoberbar-te de mim, então
Quero concentrar-te em mim
Até que acabe

Então, o coração

domingo, 13 de outubro de 2013

É dia
É silêncio
É vontade
É vontade de crescer

Corre, sim
Corre
E não penses
Não
Não penses

(Que a vida há de pensar em ti)

Abana, abana
Abana o corpo
Prego a fundo
Toma-lhe o gosto

Sente o sangue a correr nas veias
Não faças a mala
Foge a meias
Sente o gosto
Das vidas alheias

Deita fogo às mãos
Aquece o fumo
Pões o disco a tocar
Fecha os olhos
Esquece o destino
Está na hora de encontrar




terça-feira, 8 de outubro de 2013

Quando pensas que tens tudo controlado, o teu lado mais racional ao de cima e que tudo vai correr bem, o teu subconsciente atraiçoa-te e o teu lado mais vulnerável, o que tentas sempre esconder, aparece. Obrigada por me mostrares que não sou assim tão forte consciência.