segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Juventude
Esta juventude em que me insiro
Esta juventude
Esta descoberta
Esta adrenalina
Esta vontade soberba de conhecer
De querer saber mais
De devorar o mundo
Como animais

O inesperado
O desconhecido
Aquela necessidade de ser tudo como digo
As paixões
As alegrias
As rejeições que ninguém queria
As revoltas
A rebeldia
A melancolia igual à minha

Um tiro no escuro
As aventuras
A borga até às sete da manhã
O cheiro a novo
A novidade
Achar que nada tem maldade

O perceber que alguém cresceu
Que foi algo que se deu

  

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Não há remédio
Para o inferno frio
Que aí vem
Cheio de tédio

Levai-me
Levai-me daqui
Como um corpo morto
Gélido
Solto

A estrada paralisou
E as memórias me levou
Para o meio da incerteza

Perdida no meio do selvagem
Que no fim perdeu viagem
Vou na voz da vadiagem

Prometeram à juíza
Que ficavam com a vontade
Que me tiravam a ingenuidade
Que me enchiam de esperança
De memória

De lembrança

sábado, 21 de setembro de 2013

Pode ser a tua versão
Ou aversão aos factos
Facto de possibilidades
Possivelmente duvidosas
Das dúvidas existenciais
Da existência humana
Da humanidade falaciosa
Da falsidade permanente
Da permanência da loucura
Loucamente dividida

Entre a dívida e a vontade

domingo, 15 de setembro de 2013

Morreste
Na serenidade da noite
Na hóstia das invenções
Na penumbra das satisfações

Já não havia esperança
Já não soube procurar
Não soube que espécie encontrar

A deceção roubou-lhe as pálpebras
Que o faziam parar
Proteger as lágrimas
Que queria deitar

Cumpria a sentença
De término em vão
Uma afronta de ideias
Lúgubres, sérias
Que não sabe onde estão

Deparo-me com os meus dilemas
Meticulosamente ridículos
O espaço permanecerá vazio
O eco a reinar
A ausência em vez de estar

Apagaste a metáforas
Que queria mostrar
Fechei a porta

Que não me deixa entrar

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Excessos
Demasias
Imoderação
Redundâncias
Humanidade cheia à minha volta
Que de humana nada tem

Lamúrias enfadonhas
Exaltadas
Possessivas
Fartas de se verem ao espelho

A monotonia que explode pelos canos de esgoto
As vozes que ecoam tontas
Ansiosas ‘pra fugir
A degradação que vem oculta
Pronto ‘pra disputa

O caos brilha lá no alto
À espera de cair
À espera do assalto

Que me faça desistir

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Continuas cá
Mas não aqui
Ando eu
Sem ordem
Sem vontade
No meio da tempestade
Com tudo virado do avesso
E um dia até me esqueço
Que existe algo à minha volta

E parto sem revolta

domingo, 1 de setembro de 2013

Percebi que a vida é um amontoado de gente, de algumas pessoas e de gente.
Pensas: “não sou nada sem elas”; pensas que elas vão estar lá sempre, as pessoas, não a gente.
Acreditas que são o teu pilar, a tua âncora, o teu porto seguro, que apesar da maior merda que faças permanecerão lá sempre, eternamente e infinitamente para te dar a mão e para te aplaudir e para se orgulharem de ti quando brilhas.
Depois, chega a altura em que percebes que isso é só um mar de ideias vãs e ocas e que de um momento para o outro de afogas, te tiram o tapete debaixo dos pés, te tiram os sapatos, as meias, que te deixam descalça e que te esquecem, vão se embora e pensas se terás sido alguma vez importante para elas, se valeste alguma coisa na vida delas.
Haja rótulos, haja laços que se tentam desfazer, haja partilhas genéticas impossíveis de quebrar, elas vão-se, abandonam-te e não voltam sem te explicar porquê.
É uma perda, na minha opinião bem pior que a morte. Perdeste para sempre alguém que está vivo e simplesmente não está ao alcance dos teus olhos porque não quer, porque já não te quer.
Apercebes-te que o teu seio se foi ou aquele que pensavas e acreditavas que era. Olhas para o mundo e pensas como será o exterior se vês tão negro o interior.
Abres o estore e pensas que lugar é este onde vives, que seres são estes que deambulam por aqui, sentes-te perdida e não sabes como te às de voltar a levantar. Um mundo que tinha tudo para ser belo e apenas não o é porque não é.
Roo-o a cabeça a tentar perceber o ser humano e revolto-me por saber que podia ser tanto e não passa de um animal idiota maior parte das vezes. Está a destruir-se.
Posto isto, podia dizer que tinha medo do mundo, podia desistir e somente virar as costas e não querer saber mas acho que era uma atitude demasiado fraca.
A mágoa, a tristeza, a solidão e a desilusão são apenas sentimentos que nos fazem ver que somos realmente pessoas, que existimos, fazem-nos crescer. A vida é feita a engolir calhaus a pegar touros pelos cornos (não no seu verdadeiro sentido) e de batalhas sem armas de fogo.
A submissão e a inércia para uns, a vontade e a força para outros. Será isso que nos distingue?

Tombarei de alegria quando o ser humano parar e se assumir em todas as suas valências.