domingo, 20 de abril de 2014

Elegi-te
Elegeste-me
Elegemo-nos mutuamente
Sem dar conta

Sem dar conta
Demo-nos conta
Que somos um só
Um eternamente
Um para sempre

No meio da balbúrdia
Estamos nós
Cheios de certezas
Cheios de nós
Como um nó
Juntinhos
Cheios de amor
E de carinho

É tão bom saber o que é amar
Amar freneticamente
Amar desenfreadamente
Glorificando-nos
Magnificando o nosso amor
Saber o que é ser amado
Saber o que é ser esperado

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Sou uma ‘não subsidiada’
Invisto no talento e na imaginação que acho ter
E lanço o mote,
Esperando misericórdia pela minha arte

O meu sonho é fazer do amor profissão
Não pelas práticas que todos o conhecem
Mas como eu o vejo

Amor é aquilo que faço
O fruto das ideias,
Dos delírios que me passam pela cabeça enquanto durmo

E que anseiam ser materializados

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Conto I
Pergunto-me, todos os dias aquando da meia hora de metro se pertenço realmente a algum lugar. Até se todos temos um lugar.
Ou será que vamos arranjando refúgios entre paredes para passar o tempo ou apenas para nos abrigarmos de nós próprios.
Sinto que não tenho sítio. Que vou tendo. Aqui, ali. Tal como as pessoas: vão saltitando na minha vida como com prazo de validade ou por estação do ano, tendo em conta as vontades e os humores.
Até que gostava de pertencer a um lugar. Queria pertencer a algum lugar. Ter a minha toca. Aquele lugar em que conhecia por todo o metro quadrado. Que me aquecesse a alma aquando do frio e das indisposições. Ao menos tinha algo com que contar.
Olho para as pessoas no metro. Sinto que todas desesperam por um regresso a casa. Para o calor da família, do cheiro a comida acabadinha de fazer com amor, de lençóis lavados, de paz. Tinha curiosidade de saber como é cada lugar, de cada pessoa, de cada vida.
Ao pé destas pessoas, o que é a minha vida? Se é que se pode chamar assim. Tenho quase quarenta anos e nunca soube o que é isso. A minha vida resume-se a um minúsculo quarto: uma cama, uma mesa-de-cabeceira, uma cadeira e uma bacia. Tudo coisas que não são minhas. Até a vista que me penetra os olhos da janela do quarto alugado não é minha. Foi alugada, como tudo o resto.
Começo a achar que isto de alugar uma vida não é para mim.
Tenho a sensação de não passar de um mero acessório do mundo. Que fui feito para andar por ai ao sabor do vento. Pode ser que chegue, eventualmente, a pertencer a algum lado mas certamente não será agora.
O metro parou, as pessoas saem, cada uma com o seu rumo. Já eu vou ao rumo que o destino quiser. À espera de chegar a pertencer a algum lugar.