sábado, 22 de fevereiro de 2014


Um monte de resmas de papel
À minha frente
E eu sem nada para escrever
Quem me dera cravar-te na carne
Os pensamentos
Aquilo que não te sei dizer


sábado, 15 de fevereiro de 2014

Fodeste-te com os passos que deste em contramão
Arrastaste a vida
Até caíres na exaustão

Não passas de matéria
Que fatidicamente acabará nas preces de alguém
Na memória de todos
Embalado sob forma de poeira
Ou na pátria que ninguém tem

Perdoar-te-ão pelas misérias
Pelas mofinas que arrastaste contigo
Gabar-te-ão como tivesses sido um bom homem

Passas do carrasco para o ídolo
Por ti gritam saudade

E eterna paixão

domingo, 2 de fevereiro de 2014


Repetitivamente pergunto-me
Porque anda sempre tudo tão alienando
Com os olhos vendados de ignorância
De desmazelo

Já não sonham
Já não olham o pôr-do-sol
Não reparam que as flores continuam a crescer
Que os vizinhos já não são os mesmos
Que construíram um prédio em frente ao deles

Quando é que param para viver?
Quando é que param para sonhar?

Quando é que param para olhar para si
E fazer impedir
Que sejam mortos
Sugados pelo tempo

Que já não volta atrás