Ainda dizem que a noite
É feita de escuridão
Onde tudo parece escondido
Com medo do papão
Quero encarnar uma besta
Que não sente a dor
Que não sente a ferida
Que não entra nesta jogaria
Que não é atordoado por esta melancolia
A noite chega
A consciência perde-se
A racionalidade desvanece
Consome-me grito estridente
Que me escapa pela boca
Que raio de criatura és tu?
Eu não creio
Que algo vá acontecer
Se é o consciente a se perder
Se voltarei a olhar
A viver
Irei ficar assim
No meio das entranhas profundas da escuridão
A pensar naquilo que devia ser achado
Perder a imagem da lua ao eclipse
E a não ter medo quando a visse
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