quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Não sei se o céu chora de si próprio
Se chora da desgraça a que se assume

À meia-luz, escreves tu as cartas aos amantes
Pulveriza-as de desejo
De uma ânsia carnal ardente
De pensamentos inimagináveis do teu ser

A tua vontade ilustra os corpos despidos de ressentimentos
Que desgraçadamente queres possuir
Fazendo-te perdoar as mágoas que te ofereceram em prazeres de outrora

Sonhas com um homem fraco
Farto de si
Farto de se ter

Ficas insano
Com as linhas curvilíneas que fazem transparecer paixões romanceadas
Que sempre desejaste ter

De espírito quente
Contemplas as virtudes dos inocentes
Condenas os amores de mão-beijada
E derramas-te com os usos que lhes querem dar

Com as mãos frias e odorizadas de tabaco
Destróis estas palavras
Na eventualidade de não passar de um delírio do teu ser
De um sonho consciente
Que não queres reviver


Ó cidade esta que me troca os sentidos
Que me atordoa no meio da multidão
E que me faz querer escapar dela

Sinto uma tremenda necessidade de fugir
Escapar do constante
Daquilo que já não é novo aos meus olhos

Preciso de alento
De prazeres novos para os meus sentidos

Já não sinto vontade de vaguear em ti
Tomar café no Camões
Ouvir fado em Alfama
Nem de comer castanhas no Rossio

Encontro-me farta de me escutar a mim própria
Farta de ouvir falar o lisboeta
De andar no Metro e na Carris
E não conseguir abalar daqui

Necessito de um bilhete de ida,
Para uma capital europeia qualquer

Exercitar os cheiros e os aromas vadios
E as formas que me são alheias
Até que a coragem volte a emanar em mim
E me desperte

Algo novo