As minhas mãos ainda seguram o teu pescoço
Os meus beijos ainda adornam os teus
lábios
Ainda te tenho
Mas sinto que chegaste tardiamente cedo
Quando o sol já se tinha posto
E eu estava na penumbra,
Calma
Serena
Inconscientemente à espera que aparecesses
À espera que chegasses
E que me iluminasses
Não como o canto da sereia
Que encantou os marinheiros ao passar
Mas sim da tua maneira angélica
Daquela maneira tão tua e pessoal
Em que deixas o teu perfume ao passar
Não quero ser incoerente
Não quero que nada seja diferente
Só quero testar o que este mundo nos tem
para dar
Se é partir
Se é ficar
Sé é preciso fugir
Bater com portas
Voltar
Se nos basta ser racionais
Comuns mortais
Travando o sentido do olhar
Do corpo
ao deitar
Se me basta ficar
Acostumar-me às peripécias banais
Despindo-me da seda emocional que me
envolve o corpo
Que me deixa nua
Exposta
Não sabendo se a esperança adormece ou se
levanta
Porque é que me preocupo com o amanhã?
Amanhã vai ser diferente
Emaranhado
Cheio de gente
Bordel hediondo
Em que nasce gente
Morre gente
Haverá quem ri
Quem chore
E eu não saberei de mim
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