Ó cidade esta que me troca os sentidos
Que me atordoa no meio da multidão
E que me faz querer escapar dela
Sinto uma tremenda necessidade de fugir
Escapar do constante
Daquilo que já não é novo aos meus olhos
Preciso de alento
De prazeres novos para os meus sentidos
Já não sinto vontade de vaguear em ti
Tomar café no Camões
Ouvir fado em Alfama
Nem de comer castanhas no Rossio
Encontro-me farta de me escutar a mim própria
Farta de ouvir falar o lisboeta
De andar no Metro e na Carris
E não conseguir abalar daqui
Necessito de um bilhete de ida,
Para uma capital europeia qualquer
Exercitar os cheiros e os aromas vadios
E as formas que me são alheias
Até que a coragem volte a emanar em mim
E me desperte
Algo novo
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